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Amazônia

Amazônia em Números: O que março revela sobre o ritmo do desmatamento e o futuro das chuvas no Pará

Março marca a virada do período chuvoso na Amazônia — e os sinais do clima e da floresta exigem atenção redobrada.

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Redação

27 de março de 2026

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Março é, historicamente, um dos meses de maior precipitação na Amazônia oriental, e o Pará vive neste período a intensidade máxima do chamado 'inverno amazônico'. Esse regime de chuvas é diretamente sustentado pela floresta em pé: estudos consolidados, como os do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e do INPA, demonstram que a vegetação amazônica funciona como uma bomba de umidade, liberando vapor d'água que alimenta os chamados 'rios voadores' — correntes atmosféricas que distribuem chuva por boa parte do Brasil. Quando a floresta recua, esse mecanismo enfraquece. Para os agricultores familiares do nordeste paraense e do Marajó, que dependem das chuvas de março e abril para garantir o plantio da mandioca e do açaí, a saúde da floresta não é questão abstrata: é a diferença entre colheita e prejuízo.

No front do desmatamento, as APIs do sistema PRODES/INPE estão temporariamente indisponíveis para consulta em tempo real nesta edição — o que, por si só, é um lembrete da importância de manter esses sistemas de monitoramento público robustos e acessíveis. O que se sabe, com base nos relatórios anuais já publicados pelo INPE, é que o bioma amazônico acumulou décadas de perda significativa de cobertura florestal, e que o estado do Pará figura de forma recorrente entre os mais afetados. Especialistas do MapBiomas e do Imazon apontam que, mesmo em anos de queda nos índices gerais de desmatamento, o desmatamento de pequenas áreas — difícil de rastrear em tempo real — e a degradação florestal (que não aparece nas mesmas estatísticas do corte raso) continuam sendo vetores relevantes de perda ambiental na região.

Outro tema que ganha relevância em março de 2026 é o avanço das discussões em torno do mercado de carbono amazônico, impulsionado pela regulamentação do mercado brasileiro de carbono, cuja legislação entrou em fase de implementação progressiva a partir de 2024. Para comunidades ribeirinhas e territórios indígenas do Pará, a promessa é de que a floresta preservada gere renda. O risco, advertem pesquisadores do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA/UFPA), está na estruturação de arranjos que excluam os povos da floresta dos benefícios reais, transformando o carbono em negócio para intermediários sem retorno local. Até o momento, estudos indicam que os projetos com maior efetividade socioambiental são aqueles desenvolvidos com governança comunitária desde a concepção.

O chamado desta semana é direto: cobrar transparência. Ferramentas públicas de monitoramento como o PRODES, o DETER e o MapBiomas existem com dinheiro público e devem estar permanentemente acessíveis — tanto para jornalistas quanto para qualquer cidadão paraense que queira saber o que está acontecendo com a floresta ao seu redor. Ao mesmo tempo, as prefeituras do Pará com territórios na Amazônia têm prazo para atualizar seus cadastros ambientais rurais e fortalecer conselhos municipais de meio ambiente. Floresta em pé é patrimônio, é clima, é água. E, cada vez mais, é também economia — desde que as regras sejam justas para quem mora nela.

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Redação

Equipe de jornalismo do O Norte Diário.