Belém inaugura espaço exclusivo de proteção e acolhimento para mulheres vítimas de violência
A Casa da Defesa da Mulher reúne atendimento jurídico e psicossocial em um único endereço no bairro da Campina, em Belém.

Belém deu um passo significativo no enfrentamento à violência de gênero nesta quarta-feira (25) com a abertura da Casa da Defesa da Mulher, um espaço dedicado integralmente ao atendimento de mulheres em situação de vulnerabilidade. O equipamento público nasce com a proposta de reunir, sob o mesmo teto, suporte jurídico, psicológico e social — eliminando a necessidade de deslocamentos entre diferentes órgãos, algo que historicamente representa um obstáculo para muitas vítimas.
Instalada na avenida 16 de Novembro, nº 85, no tradicional bairro da Campina, a unidade é uma iniciativa da Defensoria Pública do Estado do Pará (DPE-PA), operada pelo Núcleo de Prevenção e Enfrentamento à Violência de Gênero. A estrutura conta com 20 salas destinadas a atendimentos individualizados, garantindo privacidade e um ambiente seguro para que cada mulher possa expor sua situação sem constrangimentos.
Um diferencial do espaço é a atenção às mães que chegam acompanhadas de filhos pequenos. O local dispõe de salas de amamentação e brinquedotecas, detalhes que revelam uma preocupação com a realidade concreta das mulheres atendidas — muitas delas sem rede de apoio familiar para deixar as crianças em casa durante os atendimentos. Essa abordagem torna o serviço mais acessível e humanizado.
No contexto do Pará, estado que historicamente registra índices elevados de violência doméstica e feminicídio, a criação de um espaço especializado e centralizado representa um avanço institucional relevante. A Região Norte concentra alguns dos piores indicadores nacionais nessa área, e iniciativas que ampliam o acesso à Justiça para populações em situação de risco têm impacto direto na proteção de vidas.
A expectativa das autoridades é que a Casa da Defesa da Mulher funcione não apenas como porta de entrada para o sistema jurídico, mas também como um ambiente de reconstrução de trajetórias. O atendimento psicossocial integrado ao jurídico é apontado por especialistas como fundamental para que as mulheres consigam superar o ciclo de violência e retomar a autonomia. A unidade deve atender casos encaminhados tanto pela rede de proteção quanto por demanda espontânea.
Redação
Equipe de jornalismo do O Norte Diário.