Boto-cor-de-rosa morre preso em rede de pesca na ilha de Mosqueiro
Animal foi encontrado morto com rede engatada no corpo em praia de Belém. Ibama investiga e necrópsia apura causa da morte.

Um boto-cor-de-rosa foi encontrado sem vida preso em uma rede de pesca na praia do Farol, localizada na ilha de Mosqueiro, em Belém. O alerta foi dado por um pescador local, Dickson Menezes, que acionou o 20º Grupamento Bombeiro Militar da região ao avistar o animal em situação de encalhe na segunda-feira (24). Ao chegarem ao local, os bombeiros confirmaram a morte do golfinho e constataram que partes de uma rede estavam enroladas no focinho e nas nadadeiras do animal.
O corpo foi resgatado e encaminhado ao Laboratório de Patologia Animal do Instituto de Medicina Veterinária da Universidade Federal do Pará, no município de Castanhal, na Grande Belém, onde passou por necrópsia. Os exames devem identificar com precisão as causas e as circunstâncias da morte do mamífero aquático. O Ibama assumiu a condução das investigações e informou que os resultados serão divulgados assim que os laudos laboratoriais forem concluídos.
O boto-cor-de-rosa, conhecido cientificamente como Inia geoffrensis, é o maior golfinho de rio do mundo e uma das espécies mais emblemáticas da Amazônia. Classificado como vulnerável na lista de espécies ameaçadas de extinção, o animal enfrenta ameaças crescentes que vão desde a pesca acidental — como o caso registrado em Mosqueiro — até a degradação dos rios, o garimpo ilegal e o uso de redes de pesca em áreas sensíveis para a fauna aquática.
A morte do boto reacende o debate sobre a convivência entre a pesca artesanal e a preservação da fauna silvestre no litoral paraense e nos rios amazônicos. Especialistas alertam que a captura acidental em redes, chamada de bycatch, é uma das principais causas de mortalidade de botos na região Norte. A situação exige atenção redobrada das autoridades ambientais, sobretudo em áreas de alto fluxo turístico e pesqueiro como Mosqueiro.
Com a COP 30 prevista para acontecer em Belém em novembro de 2025, episódios como este colocam o Pará sob holofote internacional no que diz respeito à proteção da biodiversidade amazônica. Ambientalistas e pesquisadores cobram ações mais efetivas de fiscalização e educação ambiental para reduzir o número de mortes evitáveis de animais silvestres nas águas da região.
Redação
Equipe de jornalismo do O Norte Diário.