Cantor Bruno Mafra é condenado a 32 anos por estuprar as próprias filhas no Pará
Tribunal de Justiça do Pará manteve por unanimidade condenação do artista por crimes contra as filhas, que tinham entre 5 e 9 anos.

O Tribunal de Justiça do Pará (TJPA) confirmou, em segunda instância, a condenação do cantor Bruno Mafra, integrante da banda Bruno e Trio, por estupro de vulnerável continuado praticado contra suas próprias filhas. A decisão foi tomada de forma unânime pela 1ª Turma de Direito Penal, na última quinta-feira, e determina que o artista cumpra 32 anos de reclusão em regime fechado.
De acordo com informações do processo, que tramita sob sigilo judicial, os crimes ocorreram entre os anos de 2007 e 2011. As vítimas eram crianças à época dos fatos, com idades de 5 e 9 anos. A relatora do caso, desembargadora Rosi Gomes, destacou que os depoimentos das vítimas foram consistentes e detalhados, descrevendo situações de isolamento, manipulação psicológica, exposição a conteúdo pornográfico e a prática de atos sexuais.
A gravidade dos crimes descritos no processo choca não apenas pelo vínculo familiar entre agressor e vítimas, mas também pela faixa etária das crianças envolvidas. Especialistas em proteção infantil alertam que casos de abuso intrafamiliar são frequentemente subnotificados na região Norte do Brasil, onde o acesso à justiça e às redes de proteção ainda é desigual, especialmente em municípios do interior do Pará.
A defesa do cantor informou que irá recorrer da decisão, alegando supostas irregularidades no decorrer do processo. No entanto, a manutenção da condenação em segunda instância representa um sinal importante de que o sistema judiciário paraense tem respondido com rigor a crimes desta natureza, reafirmando o peso da legislação brasileira de proteção à criança e ao adolescente.
O caso reacende o debate sobre violência sexual infantil no Pará e na Amazônia, regiões que historicamente enfrentam desafios estruturais no atendimento a vítimas de abuso. Organizações de defesa dos direitos das crianças reforçam a importância de canais de denúncia como o Disque 100, disponível 24 horas, e pedem maior investimento público em políticas de prevenção e acolhimento às vítimas e suas famílias.
Redação
Equipe de jornalismo do O Norte Diário.