Chanceler brasileiro denuncia no G7 países que lucram com guerras e destruição
Mauro Vieira participou de reunião ministerial do G7 na França e defendeu cooperação internacional para conter efeitos globais dos conflitos armados.

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, usou o palco do G7, na França, para lançar um recado direto às grandes potências: há nações que transformam a destruição causada por guerras em fonte de lucro. A declaração, feita em entrevista à Rádio Nacional nesta sexta-feira (27), reacendeu o debate sobre o papel do Brasil na diplomacia internacional em tempos de conflitos crescentes.
O chanceler defendeu que a saída para evitar que disputas regionais provoquem crises de alcance mundial está na construção sólida de mecanismos de cooperação entre os países. Para Vieira, o cenário geopolítico atual exige uma postura diferente da adotada nas grandes guerras do século passado, quando os embates tinham contornos mais definidos e consequências mais localizadas.
No contexto amazônico, as palavras do ministro ganham peso particular. A região Norte do Brasil, e o Pará em especial, já sente os reflexos econômicos de conflitos internacionais — seja pela oscilação nos preços de commodities como soja, minério de ferro e petróleo, seja pela instabilidade nas cadeias globais de suprimentos que afetam desde o Porto de Vila do Conde, em Barcarena, até pequenos produtores rurais do interior paraense.
Além disso, o discurso brasileiro no G7 tem relação direta com a agenda da COP 30, prevista para acontecer em Belém em novembro de 2025. O Brasil busca se posicionar como uma voz moderadora e responsável no cenário internacional, e a crítica às nações que se beneficiam de conflitos armados reforça a narrativa de um país comprometido com a paz e com o desenvolvimento sustentável — bandeiras essenciais para atrair investimentos e atenção global para a Amazônia.
A participação do Brasil no encontro ministerial do G7 como país convidado é, por si só, um sinal do peso diplomático que o governo Lula tem buscado reconquistar. Para os paraenses e demais povos da região Norte, que historicamente ficaram à margem das grandes decisões internacionais, ver o Brasil ocupar espaços como esse representa uma oportunidade de que os interesses da floresta e das comunidades amazônicas cheguem mais perto das mesas onde o futuro do planeta é discutido.
Redação
Equipe de jornalismo do O Norte Diário.