Ciclofaixas de Santarém viram armadilha para quem pedala no oeste do Pará
Veículos e motos invadem espaços exclusivos para ciclistas em Santarém, criando risco diário para quem usa a bicicleta na cidade.

A infraestrutura cicloviária de Santarém, no oeste do Pará, deixou de cumprir sua função básica: proteger quem pedala. Ciclofaixas e ciclovias espalhadas pela cidade têm sido ocupadas de forma irregular por automóveis, motocicletas e pedestres, transformando trajetos cotidianos em percursos de risco para ciclistas que dependem desses espaços para se locomover ou praticar exercícios.
Os flagrantes se acumulam em diferentes pontos da cidade. Na ciclofaixa da avenida Silva Jardim, carros avançam rotineiramente sobre o espaço demarcado. Na Sérgio Henn, motociclistas disputam centímetros com quem pedala. Na Nova Moaçara, o comportamento se repete: motos usam a ciclofaixa para contornar lombadas, ignorando a sinalização. O mesmo padrão é observado na rodovia Everaldo Martins, evidenciando que o problema não é pontual, mas sistêmico.
Quem usa a bicicleta no dia a dia sente o perigo na pele. Ciclistas relatam situações de susto frequentes, com veículos surgindo pela ciclofaixa sem qualquer aviso, forçando manobras bruscas para evitar colisões. Para muitos moradores de Santarém, a bicicleta não é opção de lazer, mas o principal meio de transporte — o que torna a insegurança nesses espaços ainda mais grave do ponto de vista social.
A Secretaria de Mobilidade e Trânsito de Santarém reconhece o problema e orienta ciclistas e pedestres sobre como proceder diante das infrações. No entanto, especialistas em mobilidade urbana alertam que a orientação isolada não substitui a fiscalização efetiva. Sem autuações e presença do poder público nas vias, a tendência é que os motoristas continuem desrespeitando a sinalização sem qualquer consequência.
O cenário de Santarém reflete um desafio presente em diversas cidades do interior da Amazônia: investir em infraestrutura cicloviária sem garantir sua efetiva proteção representa desperdício de recursos públicos e expõe a população a riscos evitáveis. Com o crescimento do uso da bicicleta como alternativa de mobilidade sustentável na região Norte, a cobrança por fiscalização e educação no trânsito se torna cada vez mais urgente.
Autoridades municipais precisam ir além da sinalização e implementar ações concretas de fiscalização, campanhas educativas e punição aos infratores. A segurança de quem pedala em Santarém depende de uma resposta à altura do problema — e o tempo de apenas observar os flagrantes já passou.
Redação
Equipe de jornalismo do O Norte Diário.