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Sociedade

Cobrança abusiva de água em condomínios acende alerta para moradores do Pará

Administradoras de imóveis combatem tarifa mínima de água que consome quase metade do orçamento condominial. Problema também preocupa moradores em Belém.

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Redação

27 de março de 2026

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Cobrança abusiva de água em condomínios acende alerta para moradores do Pará

A forma como condomínios residenciais e comerciais são cobrados pelo fornecimento de água está gerando um debate que vai muito além das fronteiras do Rio de Janeiro. A prática conhecida como 'tarifa mínima', aplicada a prédios que não possuem medidores individuais por apartamento, tem feito o custo com água disparar nas contas dos condôminos — e o cenário se repete em diversas capitais brasileiras, incluindo Belém.

Segundo administradoras de imóveis, o gasto com água pode representar até metade de todo o orçamento mensal de um condomínio. O problema está no modelo de cobrança: quando um prédio possui apenas um hidrômetro geral, a distribuidora aplica uma tarifa calculada de forma cumulativa, que não reflete necessariamente o consumo real de cada unidade. O resultado é uma conta inflada e injusta para quem mora ou trabalha no local.

Em Belém, a situação é familiar para muitos moradores de edifícios mais antigos, especialmente nos bairros do Umarizal, Batista Campos e Marco, onde grande parte dos condomínios ainda não passou pelo processo de individualização dos hidrômetros. Síndicos ouvidos pela reportagem relatam dificuldade em explicar aos moradores por que a conta de água cresce mesmo quando o consumo aparenta ser estável.

'A gente tenta economizar, reduz o uso nas áreas comuns, mas a conta não cai na mesma proporção', afirmou um síndico de um edifício residencial no bairro do Reduto, que preferiu não se identificar. Ele estima que o condomínio pague mensalmente um valor até 40% maior do que pagaria se cada apartamento tivesse seu próprio medidor.

A individualização dos hidrômetros é apontada por especialistas como a solução mais eficiente para o problema. Com medidores por unidade, cada morador paga exatamente pelo que consome, o que também estimula o uso consciente da água — um recurso estratégico na Amazônia, mas que nem por isso está livre de desperdício e má gestão nas áreas urbanas. Em Belém, a Cosanpa (Companhia de Saneamento do Pará) já oferece programas de apoio à individualização, mas a adesão ainda é baixa.

O debate em torno da cobrança justa pelo saneamento básico ganha ainda mais relevância em um momento em que o Brasil avança na implementação do novo Marco Legal do Saneamento. Para especialistas, a transparência nas tarifas e a modernização dos sistemas de medição são passos fundamentais para garantir equidade no acesso à água tratada — dentro e fora da Amazônia.

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Redação

Equipe de jornalismo do O Norte Diário.