A forma como condomínios residenciais e comerciais são cobrados pelo fornecimento de água está gerando um debate que vai muito além das fronteiras do Rio de Janeiro. A prática conhecida como 'tarifa mínima', aplicada a prédios que não possuem medidores individuais por apartamento, tem feito o custo com água disparar nas contas dos condôminos — e o cenário se repete em diversas capitais brasileiras, incluindo Belém.
Segundo administradoras de imóveis, o gasto com água pode representar até metade de todo o orçamento mensal de um condomínio. O problema está no modelo de cobrança: quando um prédio possui apenas um hidrômetro geral, a distribuidora aplica uma tarifa calculada de forma cumulativa, que não reflete necessariamente o consumo real de cada unidade. O resultado é uma conta inflada e injusta para quem mora ou trabalha no local.
Em Belém, a situação é familiar para muitos moradores de edifícios mais antigos, especialmente nos bairros do Umarizal, Batista Campos e Marco, onde grande parte dos condomínios ainda não passou pelo processo de individualização dos hidrômetros. Síndicos ouvidos pela reportagem relatam dificuldade em explicar aos moradores por que a conta de água cresce mesmo quando o consumo aparenta ser estável.
'A gente tenta economizar, reduz o uso nas áreas comuns, mas a conta não cai na mesma proporção', afirmou um síndico de um edifício residencial no bairro do Reduto, que preferiu não se identificar. Ele estima que o condomínio pague mensalmente um valor até 40% maior do que pagaria se cada apartamento tivesse seu próprio medidor.
A individualização dos hidrômetros é apontada por especialistas como a solução mais eficiente para o problema. Com medidores por unidade, cada morador paga exatamente pelo que consome, o que também estimula o uso consciente da água — um recurso estratégico na Amazônia, mas que nem por isso está livre de desperdício e má gestão nas áreas urbanas. Em Belém, a Cosanpa (Companhia de Saneamento do Pará) já oferece programas de apoio à individualização, mas a adesão ainda é baixa.
O debate em torno da cobrança justa pelo saneamento básico ganha ainda mais relevância em um momento em que o Brasil avança na implementação do novo Marco Legal do Saneamento. Para especialistas, a transparência nas tarifas e a modernização dos sistemas de medição são passos fundamentais para garantir equidade no acesso à água tratada — dentro e fora da Amazônia.
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