Crise no PSM da 14: sem neurocirurgiões, pacientes dormem em corredores em Belém
Única unidade de pronto-atendimento em neurocirurgia de Belém enfrenta colapso. CRM-PA alerta para risco elevado de mortes e sequelas permanentes.

O Pronto Socorro Municipal Mário Pinotti, mais conhecido como PSM da 14 de Março, vive uma crise silenciosa que coloca vidas em risco na capital paraense. A unidade, referência exclusiva em atendimentos de neurologia e neurocirurgia em Belém, opera sem os especialistas necessários, deixando pacientes em situação de extrema vulnerabilidade — muitos deles aguardando nos corredores, sem acesso ao tratamento adequado.
A presidente do Conselho Regional de Medicina do Pará, Tereza Azevedo, classificou o quadro como grave e revelou que o órgão encaminhou solicitação formal à Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), sem obter resposta até o momento. Segundo ela, o problema tem origem em uma dívida que a atual gestão da pasta se recusa a reconhecer, o que resultou na saída dos neurocirurgiões que atuavam na unidade.
Os números evidenciam a dimensão do problema: o setor de neurocirurgia do PSM registra, em média, 150 atendimentos diários. Com a ausência dos especialistas, esse volume de casos — que inclui vítimas de acidentes, AVCs e traumatismos cranianos — fica sem a devida assistência médica especializada. O CRM-PA alerta que a descontinuidade do serviço representa riscos altíssimos de morte, agravamento dos quadros clínicos e sequelas irreversíveis para os pacientes.
A Sesma, por sua vez, sustenta que não há falta de atendimento na unidade, contradizendo diretamente os relatos colhidos pelo conselho médico e os registros fotográficos que mostram pacientes acomodados em macas nos corredores. A divergência entre as versões aprofunda a preocupação de especialistas e da sociedade civil sobre a transparência na gestão da saúde pública municipal.
A situação expõe uma fragilidade estrutural histórica do sistema de saúde na região Norte: a concentração de serviços especializados em poucos pontos de atendimento, sem qualquer redundância ou plano de contingência. Em uma cidade como Belém, com mais de 1,5 milhão de habitantes, a paralisação de um único serviço de neurocirurgia de emergência pode significar a diferença entre a vida e a morte para dezenas de pessoas a cada dia.
Enquanto o impasse entre o CRM-PA e a Sesma persiste sem solução à vista, são os pacientes mais vulneráveis quem pagam o preço mais alto. A população belenense aguarda uma resposta concreta das autoridades municipais — não apenas notas de esclarecimento, mas a retomada imediata de um serviço essencial que nunca deveria ter sido interrompido.
Redação
Equipe de jornalismo do O Norte Diário.