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Sociedade

Cuidados paliativos: alívio negado a milhares de pacientes no Norte do Brasil

Prática médica que garante qualidade de vida a pacientes graves ainda é inacessível para a maioria dos paraenses. Desigualdade regional aprofunda sofrimento.

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Redação

28 de março de 2026

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Cuidados paliativos: alívio negado a milhares de pacientes no Norte do Brasil

Morrer com dignidade ou viver sem dor desnecessária ainda é privilégio de poucos no Brasil — e a situação é ainda mais crítica na região Norte. Os chamados cuidados paliativos, abordagem médica voltada ao alívio do sofrimento físico, emocional e social de pacientes com doenças graves ou em estágio terminal, chegam a uma parcela mínima de quem precisaria deles no Pará e nos estados vizinhos. A falta de profissionais especializados, a distância dos grandes centros e as fragilidades estruturais do SUS regional formam um obstáculo quase intransponível para famílias que enfrentam diagnósticos devastadores.

Ao contrário do que muitos imaginam, os cuidados paliativos não se resumem aos momentos finais da vida nem têm qualquer relação com abreviá-la. A proposta é justamente o oposto: garantir que o paciente viva o tempo que tiver com o máximo de conforto possível, controlando a dor, tratando sintomas debilitantes e oferecendo suporte psicológico tanto ao doente quanto à família. A Organização Mundial da Saúde reconhece a prática como um direito humano, mas no Brasil ela ainda patina entre a falta de políticas públicas efetivas e o desconhecimento generalizado.

No Pará, o cenário é de escassez. Belém concentra os poucos serviços disponíveis no estado, em sua maioria ligados ao Hospital Ophir Loyola, referência oncológica regional, e a algumas unidades privadas. Municípios do interior — onde vivem milhares de pessoas com câncer, insuficiência cardíaca, doenças respiratórias crônicas e outras condições graves — praticamente não contam com equipes treinadas para esse tipo de atenção. O paciente que não pode se deslocar à capital, em muitos casos, passa seus últimos meses ou anos sem qualquer suporte paliativo.

A formação de profissionais é outro gargalo evidente. Faculdades de medicina e enfermagem da região Norte ainda dedicam carga horária insuficiente ao tema na grade curricular. Médicos e enfermeiros que atuam em unidades básicas de saúde no interior do Pará raramente recebem capacitação para identificar quando um paciente se beneficiaria de cuidados paliativos ou para orientar as famílias nesse processo. O resultado é que muitas pessoas terminam supermedicadas, submetidas a procedimentos invasivos desnecessários ou, no extremo oposto, abandonadas à própria dor.

Especialistas da área defendem que ampliar o acesso aos cuidados paliativos exige uma mudança de olhar dentro do próprio sistema de saúde. É preciso integrar essa abordagem desde a atenção básica, treinar equipes multiprofissionais nos municípios e criar redes de suporte que cheguem às comunidades ribeirinhas e às periferias urbanas de cidades como Belém, Santarém e Marabá. Com a COP 30 aproximando os holofotes internacionais do Pará em 2025, o estado tem uma oportunidade singular de colocar na pauta não apenas a floresta, mas também a saúde e a dignidade das pessoas que vivem dentro dela.

Enquanto o debate avança lentamente nas esferas federal e estadual, são as famílias que arcam com o peso da omissão. Cuidar de um ente querido gravemente enfermo sem suporte adequado representa sobrecarga emocional, financeira e física para cuidadores informais — em sua maioria mulheres. Garantir cuidados paliativos universais não é apenas uma questão clínica: é uma questão de justiça social, especialmente num país onde adoecer seriamente ainda depende muito de onde e com quanto dinheiro se nasce.

#cuidados paliativos#saúde pública Pará#SUS Norte do Brasil
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Redação

Equipe de jornalismo do O Norte Diário.