Custo de vida sufoca trabalhador em Manaus: 85 horas para encher a cesta básica
Levantamento oficial revela que o trabalhador manauara comprometeu mais de dois salários semanais só para garantir alimentação básica em fevereiro.

O trabalhador de Manaus precisou dedicar mais de 85 horas de trabalho em fevereiro apenas para custear os itens essenciais da alimentação familiar. Os dados, compilados por órgãos federais especializados em economia do trabalho, expõem uma realidade dura para quem vive nas capitais da região Norte: o salário mínimo segue incapaz de cobrir com folga as necessidades básicas da população.
Na prática, isso significa que um trabalhador que recebe o piso nacional e cumpre jornada padrão de 44 horas semanais precisaria de praticamente duas semanas inteiras de trabalho — sem gastar um centavo sequer com transporte, moradia, saúde ou educação — para colocar alimentos na mesa. O cenário coloca Manaus entre as capitais com maior pressão sobre a renda dos trabalhadores de menor poder aquisitivo no país.
A situação no Norte do Brasil tem características que agravam o problema estrutural da carestia. O isolamento geográfico, a dependência do transporte fluvial e aéreo para o abastecimento de produtos industrializados e a infraestrutura logística precária encarecem sistematicamente os preços ao consumidor final. Itens como proteína animal, laticínios e grãos chegam às prateleiras com custos significativamente superiores aos praticados em regiões com melhor acesso rodoviário.
No Pará, a realidade não é muito diferente. Belém, que sediará a COP 30 em novembro, vive uma pressão inflacionária crescente sobre os gêneros alimentícios, especialmente nas feiras e mercados populares que abastecem as famílias de menor renda. Moradores de periferias urbanas como as baixadas de Belém e comunidades ribeirinhas do interior convivem com oscilações bruscas de preço que tornam o planejamento alimentar uma tarefa quase impossível.
Especialistas em economia regional apontam que a solução para o problema vai além de reajustes no salário mínimo. A melhoria da malha logística, o incentivo à produção local de alimentos e políticas de abastecimento voltadas às especificidades da Amazônia são apontadas como caminhos estruturais para reduzir o peso da cesta básica no orçamento das famílias nortistas. Sem essas medidas, a tendência é que o trabalhador da região continue gastando um tempo desproporcional de trabalho apenas para garantir o que comer.
Redação
Equipe de jornalismo do O Norte Diário.