Documentário sobre violência e racismo nas escolas brasileiras estreia em Belém
Cine Líbero Luxardo exibe 'A Hora do Recreio', que dá voz a jovens sobre violência, racismo e feminicídio nas escolas do Brasil.

O Cine Líbero Luxardo, principal espaço de cinema de arte de Belém, abre nesta quinta-feira (26) uma nova grade de programação com destaque para o documentário nacional 'A Hora do Recreio', dirigido pela cineasta Lucia Murat. A obra chega em momento especialmente relevante para o Pará, estado que historicamente enfrenta desafios profundos na educação pública e convive com altos índices de violência que afetam diretamente o ambiente escolar.
O filme adota uma linguagem híbrida, mesclando registros documentais e cenas ficcionais para dar voz a estudantes de diferentes regiões do Brasil. Os jovens compartilham relatos sobre situações de violência, racismo e feminicídio vivenciadas por eles próprios ou por suas famílias, expondo uma realidade que muitas vezes permanece invisível para gestores e formuladores de políticas públicas.
Um dos aspectos mais marcantes da produção é a forma como contornou as limitações impostas pela realidade: diante da impossibilidade de filmar em escolas situadas em áreas afetadas por operações policiais, os próprios alunos assumiram a direção criativa e construíram encenações que traduzem esse cotidiano. O resultado é um retrato honesto e perturbador do que significa estudar em contextos de vulnerabilidade social — situação familiar a muitas comunidades paraenses, especialmente em periferias de Belém e municípios do interior.
Além do documentário de Murat, o Líbero Luxardo estreia também os longas 'Memórias de um Verão', 'Depois do Fogo' e 'A Vida Secreta de Meus Três Homens', ampliando as opções para o público belenense que busca produções fora do circuito comercial. O italiano 'A Graça', do renomado diretor Paolo Sorrentino, segue em cartaz por mais uma semana, consolidando a programação do espaço como uma das mais diversificadas do Norte do país.
A exibição de 'A Hora do Recreio' em Belém ganha contornos simbólicos diante do debate nacional sobre segurança nas escolas e da proximidade da COP 30, que em 2025 colocará a capital paraense no centro das atenções mundiais. Assistir a um filme que discute as fraturas sociais da educação brasileira, produzido a partir da perspectiva dos próprios estudantes, pode ser um passo importante para que a sociedade local reflita sobre o tipo de futuro que está sendo construído — ou negligenciado — dentro das salas de aula.
Redação
Equipe de jornalismo do O Norte Diário.