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Amazônia

Esgoto invade área de preservação do Xingu e ameaça igarapé em Altamira

Vazamentos constantes contaminam o Igarapé Altamira, afluente do Xingu, no sudoeste do Pará. Bairros inteiros convivem com dejetos nas ruas e destruição ambiental.

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Redação

26 de março de 2026

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Esgoto invade área de preservação do Xingu e ameaça igarapé em Altamira

Altamira, no sudoeste do Pará, enfrenta uma crise silenciosa que ameaça um dos patrimônios naturais mais sensíveis da Amazônia. Falhas contínuas na rede de esgoto do município resultam no despejo de dejetos diretamente em áreas de preservação permanente às margens do Igarapé Altamira, afluente do rio Xingu, comprometendo a qualidade da água, a fauna e a vegetação nativa da região.

Os bairros Vista Alegre, São Joaquim e o Reassentamento Urbano Coletivo Casa Nova estão entre os mais afetados. A situação tem caráter especialmente grave porque essas localidades abrigam famílias que foram remanejadas durante a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte — populações que já sofreram impactos diretos com as obras e que agora se veem diante de um novo problema estrutural imposto pelo poder público.

No bairro Vista Alegre, tubulações com vazamentos constantes permitem que o esgoto escorra pelas vias públicas e avance em direção à mata ciliar, atingindo o leito do igarapé. Moradores relatam que a situação se arrasta há anos sem solução definitiva por parte das autoridades competentes. Para muitos deles, além do risco à saúde, há o peso de ver uma área que deveria ser protegida sendo progressivamente destruída pela omissão do saneamento básico.

O cenário evidencia um problema estrutural que vai além de Altamira. Municípios da região Norte historicamente sofrem com déficits graves em infraestrutura de saneamento, e as consequências recaem de forma desproporcional sobre comunidades ribeirinhas e populações vulneráveis. No caso do Xingu, a contaminação de afluentes representa uma ameaça direta à biodiversidade de um dos rios mais biodiversos do planeta, já fragilizado pelos impactos da hidroelétrica.

Ambientalistas alertam que a poluição por esgoto em áreas de preservação permanente configura infração à legislação ambiental brasileira, podendo responsabilizar tanto o poder público quanto os gestores do sistema de saneamento local. A ausência de fiscalização efetiva e de investimentos em manutenção da rede agrava o quadro e transforma o que seria um problema técnico em uma violação sistemática dos direitos ambientais e da população.

Enquanto soluções concretas não chegam, moradores convivem diariamente com o mau cheiro, o risco de doenças e a degradação do entorno. A situação em Altamira serve de alerta sobre o custo ambiental e social da negligência com o saneamento básico na Amazônia — e levanta questionamentos urgentes sobre o legado real deixado por grandes empreendimentos hidrelétricos nas comunidades que mais sofreram com sua implantação.

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Redação

Equipe de jornalismo do O Norte Diário.