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Sociedade

Exposição sobre Exu reacende debate sobre religiões de matriz africana no Brasil

Mostra em São Paulo celebra orixá central nas tradições afro-brasileiras. Tema ressoa forte no Norte, onde umbanda e candomblé têm raízes profundas.

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Redação

28 de março de 2026

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Exposição sobre Exu reacende debate sobre religiões de matriz africana no Brasil

Uma exposição aberta ao público em São Paulo está provocando reflexões que vão muito além das fronteiras paulistanas. Intitulada Padê – sentinela à porta da memória, a mostra coloca em evidência Exu, um dos orixás mais presentes — e mais mal interpretados — nas religiões de matriz africana praticadas em todo o Brasil, incluindo os estados do Norte, onde terreiros de umbanda, candomblé e quimbanda fazem parte do tecido cultural e espiritual de comunidades há gerações.

No Pará e em outros estados amazônicos, a presença das religiões afro-brasileiras é histórica e geograficamente expressiva. Belém, por exemplo, abriga centenas de terreiros registrados, muitos deles em comunidades ribeirinhas e periféricas, onde Exu é reverenciado como guardião das encruzilhadas — espaços simbólicos de passagem e transformação, tanto no plano espiritual quanto no cotidiano das pessoas. A exposição, ao resgatar esse papel central do orixá, dialoga diretamente com essa realidade vivida no Norte do país.

O título da mostra faz referência ao padê, ritual de oferenda realizado antes de qualquer cerimônia nos terreiros, destinado justamente a Exu. Sem esse reconhecimento inicial, nenhum trabalho espiritual tem início — o que revela a importância estrutural desse orixá dentro das tradições. Pesquisadores paraenses apontam que essa lógica de respeito e protocolo espiritual está presente de forma viva nas comunidades quilombolas e terreiros do interior do Pará, muitas vezes invisibilizadas pelo preconceito religioso.

A intolerância religiosa contra praticantes de religiões afro-brasileiras segue sendo um problema grave no Norte do Brasil. Relatórios de organizações de direitos humanos registram casos recorrentes de ataques a terreiros, discriminação em escolas e locais de trabalho, e discursos de ódio nas redes sociais direcionados a umbandistas e candomblecistas da região. Nesse contexto, iniciativas culturais como a exposição paulistana ganham relevância também como instrumento de combate ao racismo religioso.

Comunidades do Pará que preservam tradições de matriz africana veem com expectativa a possibilidade de que mostras semelhantes cheguem à região Norte. Lideranças de terreiros em Belém defendem que museus e espaços culturais locais — como o Museu do Estado do Pará e o Museu Paraense Emílio Goeldi — possam acolher exposições que valorizem essa herança, tornando-a acessível à população local sem que seja necessário deslocar-se até o Sudeste para ter contato com esse acervo.

A exposição Padê permanece aberta até 26 de julho no Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, no Parque Ibirapuera, em São Paulo. Para pesquisadores, educadores e lideranças religiosas do Norte, o debate levantado pela mostra serve de inspiração para que políticas públicas de valorização da cultura afro-brasileira avancem também na Amazônia, onde essa herança é parte indissociável da identidade regional.

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Redação

Equipe de jornalismo do O Norte Diário.