Festival Mvúka Tapajós leva cultura afroamazônida às ruas de Santarém neste fim de semana
Primeira edição do evento reúne oficinas, música e gastronomia para celebrar identidades e saberes tradicionais da Amazônia.

Santarém, maior município do oeste do Pará, será palco neste sábado e domingo de uma celebração inédita das raízes afroamazônidas. O Festival Mvúka Tapajós chega à sua primeira edição com uma proposta que vai além do entretenimento: fortalecer identidades, preservar memórias e reconectar comunidades com seus territórios culturais em plena Amazônia.
O nome do festival carrega em si uma declaração de intenções. 'Mvúka' é uma palavra de origem bantu, pertencente à língua kikongo, e traduz a ideia de reunião festiva, de encontro coletivo que transcende o simples ajuntamento de pessoas. A escolha do termo evidencia o compromisso dos organizadores em honrar as matrizes africanas que moldaram profundamente a cultura paraense e amazônica.
Ao longo dos dois dias, o público poderá participar de oficinas formativas — entre elas uma dedicada ao carimbó, ritmo símbolo do Pará reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil —, além de assistir a apresentações musicais e circular por uma feira criativa e gastronômica. O espaço comercial do evento foi pensado para dar visibilidade a empreendedores cujos negócios têm raízes nos saberes tradicionais da região.
O festival foi viabilizado por meio da Lei Aldir Blanc, política federal de fomento à cultura que impulsionou iniciativas em todo o país durante os últimos anos. A aprovação do projeto na categoria de festivais representa um reconhecimento formal da relevância cultural do evento e garante estrutura para que a programação aconteça de forma acessível à população santarena.
Para especialistas em cultura regional, iniciativas como o Mvúka Tapajós cumprem papel estratégico no contexto amazônico. Em uma região historicamente marcada pelo apagamento de suas heranças afrodescendentes, festivais que colocam essa memória no centro do debate contribuem para a construção de uma identidade mais plural e consciente de sua própria complexidade histórica.
A expectativa dos organizadores é que o evento se consolide no calendário cultural de Santarém e da região tapajônica, atraindo públicos de municípios vizinhos e ampliando o alcance das discussões sobre pertencimento, territorialidade e cultura afroamazônida. A primeira edição já é vista como um passo concreto para colocar Santarém no mapa das grandes celebrações culturais do interior do Pará.
Redação
Equipe de jornalismo do O Norte Diário.