Jovens de Oriximiná levam saberes amazônicos à maior feira científica do Brasil
Três estudantes do oeste do Pará foram finalistas da Febrace 2025, em São Paulo, representando a ciência produzida na Amazônia.

Três jovens do município de Oriximiná, no oeste do Pará, mostraram ao Brasil que a Amazônia também produz ciência de ponta. Giulia Guerreiro, Marcos Vinícius e Matheus Rodrigues participaram presencialmente da 24ª Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), realizada em São Paulo, onde apresentaram projetos que unem tecnologia e conhecimentos tradicionais da região amazônica. Eles estavam entre os 297 projetos selecionados de todo o país para a etapa final da mostra.
Os três estudantes cursam o ensino médio na Escola Estadual Padre José Nicolino e integram o Programa Integrado de Ensino, Pesquisa e Extensão (PEEx) da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), no campus de Oriximiná. A participação na Febrace é resultado direto desse vínculo com a universidade, que oferece aos alunos da educação básica oportunidades de iniciação científica raramente acessíveis em municípios do interior amazônico.
A professora Andreza Oliveira, orientadora dos três bolsistas e também discente de curso de graduação na Ufopa, é responsável por coordenar quatro projetos de iniciação científica na escola estadual. Seu trabalho evidencia como a articulação entre escola pública e universidade federal pode transformar a trajetória de jovens em regiões historicamente afastadas dos grandes centros de produção do conhecimento.
A Febrace é considerada uma das principais vitrines de iniciação científica da educação básica no país, reunindo estudantes de todas as regiões em competição de alto nível. Para o Norte do Brasil, a presença de finalistas oriundos de um município do interior do Pará representa muito mais do que um resultado acadêmico: é um sinal de que investimentos em extensão universitária e parcerias com escolas públicas geram frutos concretos e visíveis.
Oriximiná, conhecida pela riqueza cultural e ambiental — com destaque para as comunidades quilombolas e a bacia do rio Trombetas —, vê nos jovens cientistas um reflexo do potencial humano que a região abriga. Projetos que valorizam os saberes amazônicos em feiras nacionais contribuem também para reafirmar a relevância da Amazônia não apenas como patrimônio natural, mas como território de produção intelectual e inovação.
A conquista dos três estudantes deve servir de incentivo para que políticas públicas ampliem o acesso de jovens da região Norte a programas de iniciação científica. Quando a universidade chega à escola e a escola chega ao Brasil, o caminho se abre para uma geração capaz de construir respostas amazônicas para desafios globais.
Redação
Equipe de jornalismo do O Norte Diário.