Justiça anula eleição de novo presidente da Alerj e mergulha Rio em crise política
Desembargadora derrubou a eleição de Douglas Ruas para a presidência da Assembleia fluminense. Decisão aprofunda instabilidade no estado vizinho à região Norte.

A crise política no Rio de Janeiro ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (26) quando a presidente em exercício do Tribunal de Justiça fluminense derrubou a eleição que havia acabado de acontecer dentro da Assembleia Legislativa do estado. A desembargadora Suely Lopes Magalhães anulou a votação que elegeu o deputado Douglas Ruas, do PL, para comandar a Casa, decisão que promete prolongar a turbulência institucional no estado.
O centro da disputa está na cassação do mandato do ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, determinada pelo Tribunal Superior Eleitoral. Segundo a magistrada, antes de qualquer eleição interna na Assembleia, seria obrigatória a realização de um processo técnico chamado retotalização — que consiste em recalcular os votos das eleições estaduais de 2022 excluindo os sufrágios que haviam sido computados a Bacellar. Sem esse passo, o processo eleitoral interno da Casa seria juridicamente inválido.
A situação tem repercussão direta sobre a sucessão no governo estadual. Com a renúncia do governador Cláudio Castro, o cargo de presidente da Alerj passaria a ser o segundo na linha de sucessão ao Executivo fluminense, tornando a disputa pela cadeira ainda mais estratégica e sensível do ponto de vista político.
Embora o epicentro da crise esteja no Rio de Janeiro, o cenário serve de alerta para estados do Norte do Brasil, incluindo o Pará, sobre os riscos de disputas internas em assembleias legislativas quando não há clareza nos procedimentos eleitorais e de sucessão. A instabilidade institucional em um estado de grande peso político nacional também pode afetar negociações federais que envolvem investimentos e pautas estratégicas para a Amazônia.
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro já marcou uma cerimônia para realizar a retotalização dos votos, etapa que deve preceder uma nova eleição para a presidência da Alerj. Enquanto isso, o estado permanece sem uma definição clara sobre quem ocupará a cadeira mais importante da Assembleia — e, por consequência, sem certeza sobre quem assumirá o comando do Executivo estadual nos próximos dias.
Redação
Equipe de jornalismo do O Norte Diário.