Lula cobra solução ao novo ministro para endividamento das famílias brasileiras
Presidente quer medidas concretas e educação financeira para aliviar dívidas dos brasileiros. Norte é uma das regiões mais vulneráveis ao superendividamento.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou do novo ministro da Fazenda, Dario Durigan, um plano de ação para enfrentar o endividamento das famílias brasileiras. A declaração foi feita durante visita a uma unidade industrial em Anápolis, em Goiás, nesta quinta-feira (26), e repercutiu com atenção especial nos estados do Norte do país, onde o problema é historicamente mais grave.
Para a região Norte, e o Pará em particular, o anúncio chega em momento delicado. Dados do Banco Central e de entidades de proteção ao consumidor apontam que estados como o Pará figuram entre os que concentram maior proporção de famílias com contas em atraso ou com o nome negativado — reflexo de uma combinação entre renda mais baixa, acesso limitado a crédito de qualidade e juros elevados praticados por financeiras e cartões de crédito.
Lula reconheceu que, apesar dos indicadores positivos da economia nacional, o endividamento da população ainda é um nó a ser desatado. Em sua avaliação, nem toda dívida é necessariamente ruim: compromissos financeiros voltados à aquisição de imóveis, veículos ou eletrodomésticos podem representar construção de patrimônio e melhora na qualidade de vida. O ponto crítico, segundo ele, está quando as prestações superam a capacidade de pagamento das famílias.
Além das medidas econômicas, o presidente defendeu que qualquer solução precisa vir acompanhada de programas de educação financeira, para que os brasileiros aprendam a planejar melhor seus orçamentos. No Norte, onde grande parte da população depende de programas sociais e de empregos informais, especialistas avaliam que essa frente educativa é tão urgente quanto as políticas de renegociação de dívidas.
Entidades de defesa do consumidor no Pará já sinalizam que aguardam com expectativa os detalhes do plano que o Ministério da Fazenda deverá apresentar. A expectativa é que iniciativas como o Desenrola Brasil — programa de renegociação lançado anteriormente pelo governo federal — sejam ampliadas ou aprimoradas, com condições mais acessíveis para trabalhadores de baixa renda da região.
A pressão do presidente sobre Durigan indica que o tema deve ganhar espaço na agenda econômica do segundo semestre. Para os paraenses e demais moradores do Norte, a expectativa é que as medidas prometidas saiam do discurso e se convertam em alívio real no bolso de quem mais sente o peso das dívidas no dia a dia.
Redação
Equipe de jornalismo do O Norte Diário.