Menina de 9 anos morre eletrocutada em rua sem infraestrutura no Marajó
Maria Luiza brincava na rua quando encostou em fio elétrico exposto no município de Anajás. Um homem foi preso por homicídio com dolo eventual.

Uma criança de apenas 9 anos perdeu a vida na última sexta-feira (27) após ser atingida por uma descarga elétrica em plena via pública no município de Anajás, arquipélago do Marajó, no Pará. Maria Luiza Duarte dos Santos brincava com outras crianças quando encostou em um fio elétrico que atravessava a rua em baixa altura. Ela não resistiu ao choque e morreu no local.
A Polícia Civil do Pará confirmou a prisão de um homem responsabilizado pelo ocorrido. Ele foi indiciado por homicídio com dolo eventual — modalidade jurídica que caracteriza situações em que o agente assume o risco de causar a morte de outrem ao agir com negligência grave. O investigado está à disposição da Justiça, e o caso segue sob sigilo.
O acidente ocorreu no bairro Açaízal, uma das áreas mais carentes de Anajás em termos de infraestrutura urbana. Moradores da comunidade relatam que a precariedade da rede elétrica local é antiga e conhecida: a ausência de postes regulares e a falta de manutenção periódica empurram famílias a recorrerem a ligações improvisadas e clandestinas, que representam risco constante para quem circula pelas ruas — especialmente crianças.
A tragédia escancarou uma realidade que se repete em dezenas de municípios do interior do Pará e de toda a região Norte: comunidades ribeirinhas e periféricas vivem à margem do serviço básico de energia elétrica regularizada. No Marajó, região historicamente marcada por indicadores sociais críticos, o problema é ainda mais agudo. A falta de fiscalização e de investimento em infraestrutura transforma ruas simples em armadilhas silenciosas.
Organizações de defesa dos direitos da criança e especialistas em segurança elétrica alertam que mortes como a de Maria Luiza são evitáveis. A responsabilidade, segundo especialistas, é compartilhada entre o poder público municipal, as concessionárias de energia e os órgãos estaduais de fiscalização, que deveriam garantir padrões mínimos de segurança mesmo nas localidades mais remotas do estado.
A morte da pequena Maria Luiza deixou a comunidade de Anajás em luto e reacendeu o debate sobre o abandono estrutural vivido por populações do arquipélago do Marajó. Enquanto investigações prosseguem, moradores cobram providências urgentes para a regularização da rede elétrica no bairro Açaízal — para que nenhuma outra criança pague com a vida pela omissão do Estado.
Redação
Equipe de jornalismo do O Norte Diário.