Moradores acionam Justiça para proteger parque ecológico de invasões em Belém
Associação de moradores da Marambaia pede intervenção judicial para conter ocupações irregulares que ameaçam o Parque Gunnar Vingren.

A pressão sobre as áreas verdes de Belém ganhou um novo capítulo. A Associação dos Moradores do Conjunto Médici (Amme) recorreu ao Poder Judiciário na última sexta-feira para exigir medidas efetivas de proteção ao Parque Ecológico Municipal Gunnar Vingren, localizado no bairro da Marambaia. O movimento ocorre em meio a um avanço de ocupações irregulares nas imediações da unidade de conservação, que preocupa ambientalistas e residentes da região.
O estopim para a ação judicial foi a identificação de demarcações e edificações clandestinas nas bordas da mata do parque. No documento protocolado, a associação classifica a situação como uma 'ameaça direta, imediata e inquestionável' à integridade do ecossistema local. Apenas um dia antes do protocolo, na quinta-feira, forças policiais realizaram uma operação para desocupar uma área invadida às margens da Rua da Marinha, trecho que margeia o parque.
A Rua da Marinha esteve no centro das atenções recentes também por outro motivo: a via foi entregue como obra de infraestrutura urbana, com intervenções que precisaram ser ajustadas justamente para não comprometer os limites legais do parque. A proximidade entre o canteiro de obras e a área de preservação acendeu alertas sobre a fragilidade da fiscalização ambiental na capital paraense.
O caso evidencia um problema estrutural enfrentado por diversas cidades da Amazônia: a dificuldade de conciliar o crescimento urbano desordenado com a preservação de fragmentos florestais dentro do perímetro urbano. Belém, que recentemente sediou a COP 30 como vitrine ambiental do Brasil para o mundo, vê-se diante do desafio de proteger seus próprios espaços verdes internos contra a pressão de ocupações irregulares.
Até o fechamento desta reportagem, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), a Polícia Militar e a Secretaria de Obras do Estado não se pronunciaram sobre as medidas que pretendem adotar para coibir novas invasões e garantir a integridade do parque. A omissão das autoridades reforça a percepção de moradores de que, sem pressão judicial, a fiscalização tende a ser insuficiente.
O Parque Gunnar Vingren representa um dos poucos refúgios de biodiversidade urbana em Belém, cumprindo papel fundamental na regulação climática, na drenagem natural e na qualidade de vida da população do entorno. Ambientalistas alertam que cada metro de mata suprimido por construções irregulares representa uma perda irreversível para o equilíbrio ambiental da cidade e para o legado ecológico que o Pará precisa preservar.
Redação
Equipe de jornalismo do O Norte Diário.