MPF denuncia rede criminosa que torturava animais e vendia vídeos ao exterior
Esquema operava no Pará e comercializava gravações de crueldade animal para compradores estrangeiros. Operação da PF culminou em denúncia formal à Justiça Federal.

O Ministério Público Federal apresentou denúncia formal à Justiça Federal no Pará contra membros de uma organização criminosa dedicada à produção e comercialização de conteúdo de extrema violência contra animais. O grupo filmava sessões de tortura, mutilação e morte de animais domésticos e silvestres, muitas vezes com conotações sexuais, atendendo a pedidos específicos de clientes no exterior.
A estrutura do esquema revelou um nível sofisticado de organização: os vídeos eram negociados em moeda estrangeira — dólar e euro — por meio de plataformas digitais e até pelo sistema de pagamento instantâneo Pix, com comunicação direta entre os produtores brasileiros e os compradores internacionais. A investigação apontou para uma rede com ramificações além das fronteiras nacionais.
A descoberta do esquema partiu de uma denúncia feita por uma organização de defesa animal sediada na Bulgária, que identificou material violento com indícios de produção no Brasil e acionou as autoridades. A partir daí, a Unidade de Repressão a Crimes Cibernéticos de Ódio da Polícia Federal assumiu o caso, rastreando fluxos financeiros e trilhas digitais até chegar aos responsáveis no estado do Pará.
A Operação Bestia, deflagrada pela Polícia Federal no fim de novembro de 2025, foi o ponto culminante de meses de investigação e resultou na identificação dos envolvidos. A denúncia ao Judiciário foi protocolada em março deste ano, marcando o início da fase processual do caso.
O episódio acende um alerta sobre a exploração da biodiversidade amazônica para fins criminosos. A presença de animais silvestres entre as vítimas do esquema reforça a preocupação de especialistas e autoridades com a vulnerabilidade da fauna regional diante de redes que operam na ilegalidade e encontram no ambiente digital um mercado global para seus crimes.
Organizações de proteção animal e ambientalistas que atuam na região Norte acompanham o caso com atenção e pedem que as investigações sejam aprofundadas para identificar eventuais outros integrantes da rede ainda não alcançados pela Justiça. A expectativa é de que o processo judicial avance com celeridade e sirva de precedente para o combate a esse tipo de criminalidade no país.
Redação
Equipe de jornalismo do O Norte Diário.