Operação desmantela rota internacional de drogas pelos rios do Pará
Dois homens foram presos e mais de 3 toneladas de cocaína e maconha apreendidas em embarcações no Baixo Tocantins.

Uma operação policial de grande porte revelou que os rios do Pará funcionavam como corredor estratégico para o tráfico internacional de drogas. A Polícia Civil deflagrou a Operação Sombras de Medellín nesta quinta-feira (27), prendendo dois homens suspeitos de liderar uma organização criminosa com ramificações no Rio de Janeiro e no exterior, responsável ainda por homicídios e sequestros na região do Baixo Tocantins.
As equipes atuaram simultaneamente em quatro municípios — Abaetetuba, Cametá, Limoeiro do Ajuru e Moju — cumprindo seis mandados de prisão e de busca e apreensão. O resultado mais expressivo foi a descoberta de mais de três toneladas de drogas, entre cocaína e maconha, ocultadas em embarcações que navegavam pelas hidrovias paraenses, aproveitando a extensa malha fluvial da Amazônia para driblar a fiscalização.
Segundo as investigações, a organização utilizava as rotas fluviais do estado para escoar os entorpecentes até o Rio de Janeiro, de onde a carga seguia para mercados internacionais. A estrutura logística do grupo demonstra um nível sofisticado de operação, explorando a complexidade geográfica da região — marcada por milhares de quilômetros de rios e igarapés de difícil acesso — como vantagem para o transporte ilícito.
Os crimes de sangue atribuídos à quadrilha teriam sido motivados por represálias a apreensões anteriores. Em fevereiro e abril de 2024, autoridades já haviam interceptado grandes carregamentos na região, incluindo drogas camufladas entre peixes — estratégia que evidencia a criatividade e o alcance da rede criminosa. As perdas sofridas pelo grupo naquelas ocasiões teriam desencadeado atos de violência contra alvos ligados às operações.
A operação reforça um alerta que autoridades de segurança pública vêm repetindo há anos: a Amazônia, com sua imensidão hídrica e fronteiras porosas, tornou-se uma das principais rotas do narcotráfico internacional no Brasil. Para as comunidades ribeirinhas do Baixo Tocantins, a presença de organizações desse porte representa uma ameaça direta à segurança local, muitas vezes submetendo moradores a disputas territoriais violentas.
As investigações seguem em andamento para identificar outros integrantes da rede e rastrear possíveis conexões com facções criminosas de outros estados. A Polícia Civil não descarta novos desdobramentos da operação nas próximas semanas.
Redação
Equipe de jornalismo do O Norte Diário.