Petrobras quer recomprar refinaria privatizada e reacende debate sobre combustíveis no Norte
Estatal confirma à CVM interesse em retomar a Refinaria de Mataripe, vendida em 2021. Movimento pode impactar preços de combustíveis na região Norte.

A Petrobras confirmou oficialmente ao mercado financeiro seu interesse em recomprar a Refinaria de Mataripe, localizada na Bahia e privatizada durante o governo Jair Bolsonaro, em 2021. A movimentação ganhou força após declarações públicas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e levou a estatal a se pronunciar formalmente perante o órgão regulador do mercado de capitais brasileiro.
O anúncio reacende um debate estratégico que vai muito além das fronteiras baianas. Para os estados da região Norte, especialmente o Pará, a política de refino da Petrobras tem impacto direto na cadeia de abastecimento de combustíveis — historicamente mais cara e instável do que nas regiões Sudeste e Sul do país. A retomada de ativos de refino pela estatal é vista por especialistas como um sinal de reorientação da política energética nacional.
Desde a privatização de Mataripe — também conhecida como Refinaria Landulpho Alves —, consumidores e transportadores paraenses convivem com uma estrutura de preços influenciada por múltiplos agentes privados no setor de refino. A eventual recompra pela Petrobras poderia reduzir a fragmentação do mercado e oferecer maior previsibilidade nos preços praticados ao longo da cadeia logística que abastece o interior do Pará e da Amazônia.
Economistas que acompanham o setor energético na Amazônia alertam, no entanto, que a recompra por si só não garante redução imediata nos valores cobrados nas bombas da região Norte. 'O gargalo logístico do Norte é estrutural. Sem investimento em infraestrutura de distribuição, qualquer mudança no refino demora a chegar ao consumidor final em Belém, Santarém ou Marabá', avalia um analista ouvido pela reportagem.
A operação de recompra, caso avance, precisará passar por aprovações regulatórias e análise de viabilidade econômica pela própria diretoria da Petrobras. O mercado financeiro reagiu ao tema com atenção, já que movimentos desse porte envolvem valores bilionários e podem alterar os planos estratégicos de investimento da companhia para os próximos anos, incluindo projetos voltados à exploração de petróleo na margem equatorial, região que abrange o litoral norte do Pará.
Com a COP 30 prevista para acontecer em Belém em novembro de 2025, o debate sobre soberania energética e transição justa ganha ainda mais relevância para a Amazônia. O posicionamento do governo federal em relação ao controle estatal do refino será observado de perto por lideranças políticas e movimentos sociais da região, que cobram que qualquer decisão nesse setor leve em conta os impactos sobre as populações mais vulneráveis do Norte do Brasil.
Redação
Equipe de jornalismo do O Norte Diário.