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Potes de barro salvam lavouras paraenses da seca sem energia elétrica nem grandes custos

Técnica milenar adaptada à Amazônia garante irrigação contínua a agricultores familiares do Pará. Sistema já transforma propriedades no sudeste do estado.

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Potes de barro salvam lavouras paraenses da seca sem energia elétrica nem grandes custos

Uma tecnologia de baixo custo e alto impacto está ganhando terreno entre os agricultores familiares do sudeste do Pará. Chamado de Irrigapote, o sistema utiliza potes de argila enterrados diretamente no solo para fornecer água às plantas de forma contínua e eficiente, sem necessidade de energia elétrica ou equipamentos sofisticados. A solução chega como um alívio concreto para produtores que historicamente perdem safras inteiras durante os períodos de estiagem, cada vez mais severos na região amazônica.

A técnica foi adaptada para o contexto paraense a partir de uma parceria científica entre pesquisadores da Embrapa Amazônia Oriental e uma universidade da Etiópia, país onde o método foi originalmente desenvolvido. O sistema funciona a partir de princípios básicos da física e da biologia: os potes de cerâmica, porosos por natureza, liberam água gradualmente para o solo ao redor das raízes, mantendo a umidade necessária para o desenvolvimento das culturas mesmo nos meses mais secos do ano.

Entre os casos de sucesso já registrados no Pará está o da produtora Renata, de Tucuruí, que perdeu mais de mil mudas logo no início de sua atividade rural por falta de irrigação adequada. Após adotar o Irrigapote em sua propriedade, ela conseguiu reverter o cenário e retomar a produção com estabilidade. A história dela ilustra um problema estrutural enfrentado por milhares de pequenos produtores no interior paraense, que muitas vezes abandonam o campo diante das primeiras adversidades climáticas.

Para a economia regional, o potencial do sistema é significativo. A agricultura familiar representa uma parcela expressiva da produção de alimentos no Pará e em toda a região Norte, mas segue vulnerável às variações climáticas, à falta de infraestrutura hídrica e ao alto custo das tecnologias convencionais de irrigação. O Irrigapote se apresenta como uma alternativa acessível justamente por utilizar matéria-prima abundante na região — a argila — e dispensar gastos recorrentes com energia ou manutenção complexa.

Especialistas da Embrapa destacam que a adoção em escala do sistema pode contribuir para a segurança alimentar de comunidades rurais e para a geração de renda no campo, especialmente em municípios do sudeste paraense, área historicamente marcada por tensões fundiárias e desigualdade no acesso a tecnologias agrícolas. A expectativa é de que, com apoio de políticas públicas e programas de extensão rural, o Irrigapote alcance cada vez mais propriedades na Amazônia.

A iniciativa reforça que soluções inovadoras para os desafios do campo nem sempre exigem alta tecnologia ou grandes investimentos. Em muitos casos, como demonstra o Irrigapote, o caminho está na combinação entre conhecimento científico, saberes tradicionais e materiais simples disponíveis na própria terra — uma lição que pode redefinir o futuro da agricultura familiar em todo o Norte do Brasil.

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