Sem neurocirurgiões há mais de uma semana, PSM da 14 coloca vidas em risco
Defensoria Pública cobra explicações da Sesma sobre paralisação no maior pronto-socorro de emergência da região metropolitana de Belém.

O maior pronto-socorro de emergência da região metropolitana de Belém vive uma crise silenciosa que pode custar vidas. O Pronto-Socorro Municipal Mário Pinotti, o popular PSM da 14, está há mais de uma semana sem neurocirurgiões em seu quadro, além de enfrentar escassez de medicamentos essenciais — situação que acende um alerta vermelho para a saúde pública do Pará.
A paralisação dos profissionais de neurocirurgia teve início na última sexta-feira, dia 13, e está diretamente ligada a um impasse financeiro: os especialistas alegam não receber pagamento desde novembro de 2025. O valor era repassado a título de indenização, uma vez que não haveria contrato formal firmado entre os médicos e a Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Sesma). A prefeitura, por sua vez, nega a existência da dívida, o que aprofunda o conflito e prolonga a ausência dos profissionais.
Diante da gravidade da situação, a Defensoria Pública do Estado do Pará (DPE/PA), por meio do Núcleo de Atendimento Especializado da Criança e do Adolescente, encaminhou um ofício formal à titular da Sesma, cobrando esclarecimentos urgentes. O documento aponta risco concreto e irreparável à vida de pacientes que chegam à unidade com traumas cranioencefálicos, vítimas de acidentes e outras emergências neurológicas — exatamente os casos que demandam intervenção neurocirúrgica imediata.
Servido res da unidade também se mobilizaram publicamente, realizando uma manifestação em frente ao estabelecimento na manhã desta sexta-feira. O ato expõe o nível de insatisfação entre os trabalhadores de saúde e evidencia que a crise vai além da ausência de especialistas, refletindo uma gestão fragilizada de uma unidade estratégica para toda a Grande Belém.
O PSM da 14 é referência para uma população de milhões de pessoas na capital paraense e nos municípios vizinhos. A ausência de neurocirurgiões em uma unidade desse porte representa um colapso pontual com efeitos em cascata: pacientes graves podem ser deslocados para hospitais distantes ou simplesmente não receber o atendimento especializado a tempo, aumentando o risco de sequelas permanentes e mortes evitáveis.
Enquanto o impasse entre a prefeitura de Belém e os profissionais de saúde não é resolvido, são os pacientes mais vulneráveis que pagam o preço mais alto. A situação exige resposta imediata das autoridades municipais e reforça a necessidade urgente de regularização dos vínculos trabalhistas com especialistas que atuam no SUS — problema antigo e recorrente na saúde pública da região Norte.
Redação
Equipe de jornalismo do O Norte Diário.