Trump ameaça Cuba após ações militares na Venezuela e no Irã
Presidente americano declarou que 'Cuba é a próxima' em fórum de investimentos em Miami. Tensão geopolítica preocupa vizinhança latino-americana.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a agitar o tabuleiro geopolítico das Américas ao declarar abertamente, durante um fórum de investimentos realizado em Miami nesta sexta-feira (28), que Cuba seria seu próximo alvo após as ações militares conduzidas pelo governo americano na Venezuela e no Irã. A declaração, feita diante de investidores e aliados políticos, acendeu um novo sinal de alerta em toda a América Latina.
Sem detalhar o que exatamente pretende fazer, Trump ressaltou o poderio do exército americano e deixou no ar a possibilidade de uma ação militar direta contra a ilha. Nas últimas semanas, o governo de Washington já havia iniciado negociações com representantes de Havana, ao mesmo tempo em que o presidente não descartava o uso da força. A combinação de pressão diplomática e ameaça militar segue o mesmo roteiro já adotado com outros países da região.
Para o Norte do Brasil — e especialmente para o Pará —, a escalada das tensões no Caribe representa um fator de instabilidade regional com potencial impacto direto. A proximidade geográfica da Amazônia com países que fazem fronteira com zonas de influência americana, como Venezuela e Suriname, torna o Estado sensível a qualquer reconfiguração de poder no subcontinente. Fluxos migratórios, rotas comerciais e até investimentos internacionais podem ser afetados caso o conflito se amplie.
A Venezuela, que já vive uma crise humanitária profunda com reflexos diretos no Pará — o Estado é um dos principais receptores de refugiados venezuelanos no Brasil —, foi citada por Trump como um exemplo de 'sucesso' das operações americanas. A lógica expansionista do governo dos EUA, portanto, não é apenas retórica: ela já produziu consequências concretas para a região Norte, e uma nova intervenção no Caribe pode intensificar ainda mais esse cenário.
O Brasil, por meio do Itamaraty, tem reiterado sua posição contrária ao embargo econômico imposto pelos EUA a Cuba e defende soluções diplomáticas para as crises na região. A postura brasileira, no entanto, esbarra na influência americana sobre organismos multilaterais e na pressão que Washington exerce sobre aliados estratégicos. Para especialistas em relações internacionais ouvidos pela imprensa nacional, a declaração de Trump não deve ser interpretada como simples retórica eleitoral.
Enquanto o mundo acompanha os desdobramentos da política externa americana, estados como o Pará permanecem atentos. A COP 30, prevista para ocorrer em Belém em novembro de 2025, já coloca o estado paraense no centro das atenções globais. Um ambiente de instabilidade geopolítica nas Américas pode interferir nas articulações diplomáticas em torno do evento e nas negociações climáticas que envolvem diretamente a Amazônia brasileira.
Redação
Equipe de jornalismo do O Norte Diário.