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Violência doméstica explode 251% em Monte Alegre e MP-PA age para proteger mulheres

Registros saltaram de 37 para 130 casos em um ano no município do oeste do Pará. Ministério Público emite recomendação urgente para reforçar rede de proteção.

PublicadoCuradoria a partir deG1 ParáCompartilhar
Violência doméstica explode 251% em Monte Alegre e MP-PA age para proteger mulheres

A cidade de Monte Alegre, no oeste do Pará, vive uma crise silenciosa e alarmante: os casos de violência doméstica contra mulheres cresceram 251% em apenas um ano. Os dados, levantados pelo sistema de saúde municipal, revelam que os registros saltaram de 37 ocorrências em 2023 para 130 ao longo de 2024 — um salto que acendeu o alerta das autoridades e mobilizou o Ministério Público do Estado do Pará.

Diante da gravidade dos números, o MPPA expediu, em 20 de março deste ano, uma recomendação formal direcionada aos órgãos que compõem a rede de proteção à mulher no município. O documento orienta a adoção de ferramentas padronizadas de avaliação de risco, como o Formulário Nacional de Avaliação de Risco (FONAR) e o Instrumento de Avaliação de Violência Psicológica (IAVP), mecanismos que permitem identificar com mais precisão as situações de perigo e qualificar o atendimento prestado às vítimas.

O cenário preocupa ainda mais quando se observa a evolução dos dados em 2025. Somente até julho deste ano, Monte Alegre já contabilizou 62 novos casos — ritmo que, se mantido, poderá superar o total registrado no ano anterior. No mesmo período, foram concedidas 251 medidas protetivas de urgência, e há atualmente 71 processos judiciais ativos relacionados à violência doméstica na comarca.

Especialistas em segurança pública e direitos humanos apontam que o aumento nos registros pode refletir tanto o crescimento real da violência quanto uma maior disposição das vítimas em denunciar, impulsionada por campanhas de conscientização. No entanto, independentemente da causa, a sobrecarga sobre o sistema de atendimento é real e exige resposta estruturada por parte do poder público municipal e estadual.

Para Monte Alegre, cidade com cerca de 60 mil habitantes às margens do Rio Amazonas, o desafio é ainda maior pela distância dos grandes centros e pela limitação de serviços especializados disponíveis localmente. A ausência de uma Delegacia da Mulher estruturada e de abrigos de acolhimento na região são gargalos históricos que comprometem a efetividade da proteção às vítimas.

A atuação do Ministério Público é vista como um passo importante, mas especialistas alertam que recomendações precisam ser acompanhadas de investimento real em infraestrutura, capacitação de servidores e políticas públicas contínuas. A violência doméstica no interior do Pará — e da Amazônia como um todo — ainda carece de atenção proporcional à sua dimensão, muitas vezes invisível aos olhos das políticas estaduais e federais.

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